Em novembro eu me mudei da casa maravilhosa em que morei quase 20 anos. A nova, muito menos, não cabia nem metade dos pertences que acumulei nesse tempo. A seleção foi difícil. Não pude trazer os vizinhos, a parte mais importante do lugar onde morava. A amizade continua, claro, mas perdi a segurança de saber que estava cercada de gente a quem podia recorrer a qualquer minuto do dia ou da noite. Foi a pior parte da perda. O Tonho, que morava conosco e cuidava de nós desde que nos mudamos para lá também partiu. Foi para o Maranhão chorando, assim como ficamos aqui chorando a falta dele.
E os objetos??? Precisei escolher o que doar, o que deixar à mão e o que guardar no sótão, em caixas que não sei quando terei coragem de abrir. Livros preciosos, presentes de casamento, lembranças de quando os filhos eram pequenos... Tantas coisas. A seleção não foi fácil, envolveu muitas lágrimas.
Um mês e meio depois da mudança, a perda maior: lá se foi meu paizinho querido para o Céu.
Aqui a preta fica coisa, como diria ele (perdoem aí os politicamente corretos de plantão). Até que ponto a dor é natural, esperada, saudável? Quando ela começa a se tornar sinal de depressão?
Durante os quatro primeiros meses dessa perda imensa, escrevi cartas para ele, no blog Oi, Pai. Aos poucos, fui diminuindo a frequência das cartas, parecia o mais sensato. A vida precisa seguir. Preciso continuar, porque lá na frente, no futuro, está um dia em que vou me reencontrar com ele. Agora, contudo, preciso viver aqui muitos anos (acredito eu) sem a presença confortadora dele.
Superar as perdas é um jogo de tentativa e erro, com acertos no final. Tento ir por um caminho, vejo que não está bom e procuro outro.
Escrever sempre é uma boa opção para mim. Jogar minhas palavras ao espaço sideral e, de vez em quando, receber um retorno, às vezes de uma pessoa que não conheço. Sim, cada resposta, seja ela positiva ou não, me mostra que alguém se importou de ler o que escrevi, minhas "mal traçadas linhas".
Depois das cartas, tenho me dedicado ao segundo romance. Está quase no ponto de ir para a Amazon. Será meu quarto livro! Ainda não posso viver das letras. Quem sabe, um dia? Estou me reinventando... Gostaria de reinventar uma escritora de sucesso. Sei, sei, eu e mais metade da população do mundo ocidental. Mesmo assim não custa tentar, concorda? Como disse um sábio professor em treinamento que fiz:
- O não você já tem. Se tentar, pode conseguir o sim. Se não tentar, já sabe a resposta.

Isso Cláudia, continue escrevendo.
ResponderExcluirNem sempre comento mas leio tudo. Gosto muito do seu jeito de se expressar. Quisera eu ter esse dom. Bjim
Obrigada! Beijo.
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