Uma vez, aconteceu um fato engraçado. Viajamos para Orlando. O voo era Brasília/Atlanta/Orlando. Papai, felicíssimo por conseguir levar os dois netinhos mais novos para conhecer o Mickey. A tchurma que saiu daqui era: papai e mamãe, Joel e Cristina com as crianças e eu e Sérgio (em Orlando, encontramos Flávia, que estava trabalhando na Disney - dirigia o barco do Jungle Cruise! - e Daniela, que estava voltando para casa depois de morar dois anos na Califórnia). O voo para Atlanta atrasou. Estavam todos agoniados ao sair do avião, e conseguir que acreditassem em mim e seguissem minhas orientações no aeroporto foi um parto com fórceps. Eu era a que tinha passado mais vezes por aquele aeroporto, mas ninguém aceitava minhas orientações. Até a sugestão de irmos a pé do nosso portão até o outro eu tive que refutar. De metrozinho a gente leva uns 10 minutos. Pensa a pé. Por fim consegui que todos aceitassem o monorail. Fomos até o terminal do novo embarque. No meio do caminho, os comentários:
- É, ia ser meio difícil vir a pé.
A gente riu. Sempre foi assim. A gente ri de tudo, seja engraçado ou não. Ao chegar ao nosso terminal, olhei o número do portão. Era o último. Digamos que fossem 30 portões de embarque. Estávamos no trigésimo e o nosso era o 1. Olhei para um lado, para o outro. Seria necessário falar inglês. Tinha que ser eu. E zarpei, a toda velocidade subsônica, rumo ao portão. Necessário deixar claro que correr ou andar para mim, naquela época, fazia diferença apenas psicológica. A rapidez não sofria qualquer alteração. Naquele dia começou a nascer em mim a vontade de conseguir correr. Correr de verdade. Não precisava ser a mulher mais rápida do mundo, me bastava conseguir acelerar um pouco.
Perdemos a conexão, mas só esperamos meia hora e pegamos outra. Deu tempo de fazer umas comprinhas nas lojinhas do aeroporto.
A semente lançada naquela "corrida" no aeroporto de Atlanta deu frutos. Algum tempo depois, encontrei na internet um plano para treinar e cheguei a correr 6 km! Amava! Sentia um bem-estar imenso após a corrida, muito maior do que o que sentia depois de caminhar.
Muita água passou por baixo da ponte e eu deixei de correr. Mas quero, muito, retomar. Continuo caminhando, e só. Ah, hoje, não! Corri 500 m! Pensa numa pessoa feliz. Não achei que ia conseguir. Quando o homem do Nike+ me avisou que eu tinha vencido minha meta de hoje, fiquei empolgada.
As vitórias são assim, na minha opinião. Elas começam pequenas e vão ficando maiores. Hoje foram 500 m. Depois, vou aumentando de novo, como fiz da outra fez. Quem sabe consigo voltar aos 6 km e às corridas de rua de que gostei tanto!
Me aguardem. Afinal, como escrevi ontem, a vida segue...
Olha eu aí, toda feliz, na minha primeira corrida de 5 km:
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| E não é que cheguei? |


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